A matemática do amor – Parte II

Rafael Gonzaga

Meu cliente, que queria se separar, leu o livro “Comunicação não violenta” no qual o doutor em psicologia Marshall Rosenberg sustenta que o comportamento do outro não cria um sentimento em mim. O que cria um sentimento em mim sou eu, com meu estado de espírito, minhas inseguranças, experiências e expectativas. A responsabilidade por meus sentimentos é minha, de forma que se decido amar alguém esse sentimento é meu. Sendo assim, não é o outro quem desperta um sentimento em mim, sou eu quem estendo o meu amor ao outro. Se decido me separar eu recolho esse sentimento e escolho outra pessoa para entregá-lo.  Segundo o Dr Rosemberg não existe o “você me ofendeu” o correto seria “eu me ofendi com o que pensei sobre o que você me disse.” Apenas pessoas imaturas ou que tentam manipular o outro atribuem a terceiros os seus sentimentos. De posse desse conceito, e após a leitura do livro que indiquei, meu cliente foi capaz de melhorar a comunicação com a esposa e no processo de coaching encontrou respostas para perguntas que fiz, tais como: O que as coisas que você tem raiva em sua esposa têm a lhe ensinar sobre você? O que o faz pensar que, ao se afastar de sua esposa, você vai se afastar dos seus dilemas? No final do processo ao perguntar o que ele aprendeu com aquelas sessões ele me disse:  “Descobri duas coisas. Primeiro que sou capaz de atingir os resultados que desejo quando me responsabilizo por isso, e descobri também a minha fórmula para um bom relacionamento.” “Qual seria?”  “Ao invés de focar no amor que quero ter de minha esposa, foco no que eu tenho para oferecer. Pois essa é a consequência prática de ser 100% responsável para que essa relação dê certo.  A fórmula dos bons relacionamentos é o protagonismo. Eu tenho o poder de fazer essa relação dar certo.” “Cara, você é um gênio!”, incentivei esperançoso de que as coisas estavam indo muito bem.

Esse foi um processo de coaching para potência, ou seja, um processo para encontrar o que mais nos fortalece em cada situação. A base desse processo é minha interpretação do conceito de potência em Nietzsche, sobre o qual estou escrevendo um livro. Acredito que nada acontece conosco, mas as coisas acontecem para nós. De forma que, enquanto eu não tiro uma lição do que me acontece, tudo tende a se repetir outras vezes, eternamente.

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